quinta-feira, 14 de julho de 2011

][...a realidade irrita..][

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A realidade é um bêbado jogado no chão, até que alguém bata na minha porta e prove o contrário.
A realidade irrita.
Irrita porque está ali na sua cara e muitas vezes você não quer ver ou vê coisas que não condizem com a sua concepção de realidade. Porque querendo ou não, a realidade é carne crua.
Tem dias que eu visto minha fantasia de otário. Não é nada além de um kit composto de um sorriso de largura 7 cm e um olhar como se alguém tivesse jogado um tubinho de purpurina em você. Aquela coisa meio.. ãmn.. hiperbolicamente brilhante. 
E quer saber? É uma M***A. Dá vontade de mandar meia dúzia de gente tomar no *U e correr pra casa chorando, se trancar no quarto pra tomar um toddy e jogar nintendo até ficar vesgo. Isso de escolher qual cara eu vou vestir hoje, **** com tudo. Sempre.
Entenda...
...pego ônibus as sete e dez e digo: Olá árvores. Olá pássaros. Olá universitário que não lavou o rosto… 
E por aí vai, aquele jogo de sorrisos. O dia todo. Todos os dias.
O ônibus que eu pego está sempre lotado de seres que moram em um mundo onde aparentemente não se vende desodorante. A escola está numa velocidade dez quilômetros por ano.
É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar.

[A realidade que eu mais gosto está longe, bem longe. Eu e você, lençol bagunçado sobre a cama, luz entrando pela janela, coca-cola com gelo e limão.]

Talvez isso mude. 
Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me seqüestre de uma vez. 
Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. 
Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar.
Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor.
Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.
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"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você (...). Se não dormisse cedo, nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam 'clack' de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis."
 
[Caio F. Abreu]

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