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-Eu caso com você se você me der um unicórnio.
Esse não é o tipo de coisa que se espera ouvir quando pede alguém em casamento.
Eu esperava um sim, estava preparado para um não, mas não tinha pensado na possibilidade de haver uma terceira respostas para tal pergunta.
Eu fiquei parado, fitando o horizonte, com cara de quem faz uma análise mental de todos os animais que existem e percebe que unicórnio não é um deles. Uma expressão facial bem sincera já que era isso mesmo que eu estava fazendo.
Quando consegui finalmente abrir a boca para falar algo (havia tentado algumas vezes mas acabei fazendo só uns ruídos estranhos, que por sinal combinavam bastante com a situação) tudo que consegui falar foi um sonoro e previsível:
-Mas onde eu vou arrumar um unicórnio?
Ela riu como se eu tivesse perguntado qual era o meu próprio nome. Não que eu soubesse dizer naquele momento qual era o meu nome se porventura alguém perguntasse.
-Eu não sei, sei que se você me ama de verdade vai achar.
Nessa hora eu me arrependi de ter parado de fumar. Uma crise de tosse cairia muito bem, com sorte eu conseguiria até uma ida ao hospital e um raio x do pulmão.
Aliás, parei de fumar porque ela queria filhos e para isso precisava parar e queria o meu apoio. Não da pra ajudar alguém a parar de fumar, fumando.
-Unicórnios não existem.
Eu sabia que ela sabia disso. Não era nenhuma ganhadora do Nobel, mas ela não seria estúpida a ponto de achar que existiam. Achei que falar o obvio em voz alta talvez pudesse me ajudar. Qualquer ajuda é bem vinda pra quem não sabe o que fazer.
-Existe sim. Você diz que seu amor existe mas eu nunca o vi e acredito em você. Você nunca viu um unicórnio mas eu estou te dizendo que existe. Você acredita em mim?
Ela tratava o assunto com a naturalidade de quem passa manteiga no pão enquanto eu me sentia como se ela tivesse desatarraxado meu pênis e guardado na bolsa.
-Acho que no fim das contas nenhum dos dois existe.
Disse isso e fui embora.
Hoje ela está casada com um geneticista e conseguiu seu unicórnio. Eu estou indo para o segundo maço de cigarros.
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